6/24/2010

Destino

Foi um propósito composto para tudo:
Para a oportunidade que chega perdida,
Para o desencontro cego, surdo e mudo,
Até para o beco barrado por muro sem saída.

Há para todos um Plano que já foi escrito:
Uma trama que está tecida, toda enlaçada,
Um guião irrefutável, não rasurado e infinito,
Com a nossa representação à priori projectada.

Há pequenas misérias e grandes amores
E caleidoscópios cegando todas as cores.
Não há um novo amanhã, tampouco o fim,

Como a nota prolongada pelo cálido clarim
Evocando os mortos, na portentosa parada,
Dos sonâmbulos seguindo a ébria desgarrada.

8 comentários:

E.U Atmard disse...

Irmão, digo-te, a tua demanda é de facto inspiradora. Mas temo que haja algo de triste na forma como talvez tenhas mal interpretado certos aspectos.
Como te sou absolutamente desconhecido, talvez esteja na melhor posição, numa na qual nenhum amigo ou conhecido poderia estar. Aquilo que tu tomas por amor é paixão, e aquilo que tomas por destino não é mais que uma persistência da mente.
Chamar-me-às cínico, desculpa nesse sentido, mas a vida faz-nos isso. Aquilo a que tu chamas de amor, é nada mais que algo com um nome científico qualquer, mas que eu gosto de chamar de "idealização. Corrigir-me-às por certo se estiver errado, mas é ou não verdade que a imagem que dessa rapariga tens torna-se dia após dia cada vez mais indistinta, as linhas do rosto avançam para a frente e para trás, e tu, num desejo de recuperares a forma perfeita e adorada do retrato corriges desesperadamente. Não é por mal, mas acontece. Os actos dela que antes pareciam simples ganham um tamanho soberbamente grandioso, os sorrisos dos seus lábios são rasgos de carmim e os dos seus olhos são pedras que apenas tu sabes o valor. E ela torna-se deusa, ser superior, ser mestre, entidade divina de poder.
Pois irmão, se lês as minhas palavras e te identificas com o que eu digo, que fazer? Afinal, eu sou apenas mais uma face no meio da multidão.
De Tomar para que conste, óptima cidade, óptima cidade.

o Pedro que procura Inês disse...

?!?! não percebi bem...

E.U Atmard disse...

Fiquemo-nos com o sou de Tomar.
Isso é mais que suficiente...

o Pedro que procura Inês disse...

Tomar, templários. Como todos devíamos saber Portugal foi (também) criação de São Bernardo, Borgonhês como Henrique pai do nosso primeiro rei Afonso e mentor espiritual da ordem do Templo. Também não é segredo que o infante D. Henrique, inspirador da expansão portuguesa, foi mestre da Ordem de Cristo - ou ordem Templária assim rebaptizada por D. Dinis para que os arquitectos de Portugal escapassem ao édito papal para a sua proibição e liquidação.

Mas Portugal é o Templo, o Templo é Portugal e Tomar a sede Templária.

E.U Atmard disse...

Então quando eu escrevo com pseudo-poesia não entendes, e quando tu o fazes, é suposto eu entender?

E sim, a ordem templária teve uma influência extraordinária na minha cidade.

o Pedro que procura Inês disse...

Não será razão para nos desentendermos, mas o que é suposto eu compreender?

Quanto ao carácter da poesia, os meus versos não são pseudo nada, porque são verdade singela -ainda que maus

E.U Atmard disse...

A verdade só é verdade quando o destinatário entende e concorda.
Caso contrário é apenas uma opinião.
Mas percebo perfeitamente o que dizes, quando uma pessoa escreve versos, especialmente em verso solto, a mensagem é mais importante que a forma e que a qualidade.

o Pedro que procura Inês disse...

Seja!