O Pedro era "guarda-livros" para "poder pagar a conta da mercearia" - como costumava dizer. Podia ter sido cartomante ou instrutor de ioga, de preferência andarilho por latitudes mais a sul, mas a reverência e um certo constrangimento jamais vencidos por certos valores familiares, tolheram-lhe os passos entre estantes e arquivadores. Entre suspiros de tédio, cingia-se ao destino que (assim o julgava) as estrelas escreviam nos céus, ao mesmo tempo que viajava por pedacinhos de papéis, escrevendo quadras soltas entre um empréstimo domiciliário e uma pesquisa bibliográfica. Deixo-vos um desses nacos líricos.
João Galamba
Quando os teus olhos falam
Cessa o murmúrio do mundo...
E os meus logo se embalam
Sob transe assaz profundo.
Quando os teus olhos me fitam
Expressivos como os de ninguém...
Há mistérios que se agitam,
Calando-se os meus também.
E em hipnose emudecidos,
Por discurso tão loquaz,
Os meus olhos são rendidos
Por um só olhar fugaz.
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1 comentários:
Pois... Se não fosse este o Pedro, que aqui escreve, eu também não comentava! Passemos à frente da Inês, que já enjoa, e comecemos a escrever, para eu poder ler! Escrever... assim só, sem mais nada oh guarda livros!
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