O Pedro não escrevia outra coisa senão poemas de amor. Mas nós, que o conhecíamos de perto, sabíamos bem do seu inequívoco comprometimento com as causas da esquerda. "Mas não me apetece escrever sobre essas coisas" - dizia sempre que questionado sobre a ausência da realidade social, das lutas e das aspirações, nos seus "maus versos".
Curiosamente, este poema que agora transcrevo, foi encontrado na parte de trás duma convocatória para uma Reunião Geral de Alunos da FCSH. Data? 3 de Março dum ano qualquer.
João Galamba
A Rapariga mas linda da esquerda radical
Lendo-te nos olhos,
Escutando as palavras,
Vislumbrei a ceifa
Das futuras lavras.
Nem mesmo os teus modos,
Por vezes nervosos,
Traíam o Verbo
Com que tu aclamavas
A [palavra rasurada]aurora
Que já despontava
Nesses combates
Que eram os nossos.
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