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7/08/2010

Eco-aldeias

No próximo dia 14 de Julho, pelas 18 horas, será lançado um livro sobre eco-aldeias na Biblioteca Museu República e Resistência (Bairro do Rego em Lisboa). Esta iniciativa está a cargo dos membros da Comunidade Tamera.

Esta comunidade, instalada em Odemira no Alentejo, tenta viver em harmonia com a natureza, numa perspectiva auto-sustentável e auto-suficiente. São cerca de 200 pessoas que exploram novos caminhos, desenvolvendo projectos de estudo nas áreas social, política, tecnológica, ecológica e ainda arquitectónica, entendidos como sendo parte de um todo, cujo principal objectivo é "educar para a Paz".


6/30/2010

Um país de "doutores"...

Li hoje no jornal que o ministro da ciência e ensino superior quer ter 2 milhões de licenciados em Portugal, de modo a que 40% da mão-de-obra até aos 35 anos possua o grau de licenciatura. Explica o Gago que o objectivo é vencer a crise e aumentar a produtividade através do aumento da escolarização, com direito a um extra: "cidadãos formados são melhores cidadãos".
Bom... mesmo abstraindo o exemplar facto histórico que há (pelo menos) 150 anos que os políticos incensam a educação como panaceia para os males nacionais - e veja-se no que se materializa todas as "paixões" educativas... -, resta saber para que queremos nós 2 milhões de licenciados... e licenciados em quê? para trabalhar onde?
No último fim de semana passeei por sítios onde ainda hoje se encontram os mesmíssimos muros de pedra erguidos séculos atrás e que de pé desafiam ainda o abandono das últimas décadas... Havia mais ciência nesses muros erguidos por camponeses analfabetos do que em em quase todos os códigos, códices e conteúdos universitários. E eu ainda estou por conhecer um desses sábios que seja capaz de lançar a semente ao chão e produzir feijão.
E quem diz feijão, poderia dizer centeio ou tomate.

6/17/2010

o "nosso" seleccionador nacional parece que ganha 1,5 milhões de euros.
O Continente patrocina
Os empresários e o Passos Coelho querem facilitar o despedimento
O governo está disponível para ouvir as propostas
E eu espero que a Coreia do Norte nos vença
Era o melhor que podia acontecer a Portugal.

6/15/2010

Há jogo hoje



Bastante facho este vídeo... mas quando me lembro do miserável "I got a feling" como hino da selecção nacional de futebol... só me apetece esfregar a "brava dança dos heróis" no focinho pindérico e ignorante do Carlos Queiroz. Mas enfim, futebol é isso mesmo, não é? A ver se, mesmo com um "Colombo" deste calibre a pilitar a nau, os nossos rapazes a conseguem levar a bom porto

6/10/2010

"Vós sois a Luz do Mundo"
Sermão de Padre António Vieira

Pregado em Roma, na Igreja de Santo António dos Portugueses, em 1670
para a comitiva portuguesa que fez "a embaixada de obediência" ao Papa Clemente X.

Vos estis Lux mundi!

Agostinho da Silva dizia amiúde que “os portugueses foram feitos para o impossível”. Deixemos, portanto, o possível para os alemães! Portugal, pequeno país despojado de recursos, na finis terrae da Europa, estruturalmente atrasado, em face duma terrível crise económica, incapaz de convergir com os padrões europeus, há muito que esgotou o papel de “bom aluno” que muitos lhe auguraram no processo de integração: nem “Florida”, nem “Califórnia” seremos da União, senão a “Louisiana” – um dos Estados necessariamente mais pobres e sujeito ao maior dos abandonos.


É inútil inquirir se o capitalismo é incompatível com o “modo de ser português” ou se simplesmente chegámos, enleados nas nossas fantasias, demasiado atrasados ao comboio da história. Basta-nos compreender que, nesta ordem natural das coisas do mundo, Portugal mais não pode ser que um Estado-nação inviável, tutelado e dirigido pelo exterior (da EU provém já a maioria da nossa legislação, por ex.), sem outra quimera senão a da subserviência mimética e esmolada correndo atrás da sombra do destino. Crise de identidade? Crise cultural? Crise de poder? Crise tout court!


Mas no momento próprio em que o sistema, literalmente, chega aos seus limites, porque insistiremos em prosseguir para diante, em direcção à catástrofe ambiental, à delapidação dos recursos, à incessante e desumanizada busca do lucro e da “produtividade”, que deixa povos, continentes inteiros para trás?


Ao diabo, portanto, com os “processos de gestão”, os balancetes, os critérios pós-fordistas e os códigos empresariais! Não fomos nós seres humanos criados e destinado para isso e manifestamente não está a resultar para a grande maioria de nós... Uma nova forma de organização social baseada na cooperação e não na concorrência, no comunitarismo e não na posse privada será chamada a ser construída. Se os portugueses, que através da sua expansão ultramarina criaram as condições materiais para o capitalismo moderno, poderão agora descobrir o caminho para as novas “Índias”?


Os mitos mais fortes se tornam em épocas de crise, angústia e incertezas... Ora nós temos, na nossa cultura, os mitos necessários para mapear as nossas descobertas futuras: a Saudade e o sbastianismo. Mitos como prolongamento das “fantasias lusitanas”? Talvez... mas como Jean Cocteau certa vez afirmou: “sempre preferi o mito à história. A história é feita de verdades que se transformam em mentiras, a mitologia em mentiras que se transformam em verdades”...


Indubitável é que da última vez que se propuseram reinventar a (sua) história e identidade, a 25 de Abril de 1974, os portugueses concentraram, pela vez única na sua contemporaneidade, as atenções e esperanças do mundo. Talvez na próxima aurora, livres de estereótipos, alheios à geopolítica e ao “realismo”sejam capazes de cruzar o mar sem fim e cumprir-se, mostrando aos povos do mundo os caminhos para a sua emancipação, inaugurando o Quinto e último Império capaz de irmanar a humanidade na concórdia, na paz e na felicidade através duma espiritualidade renovada.


Mas se poucos sabem ler o que está escrito nas trovas de Bandarra... Restam-nos as palavras de Pessoa/Álvaro de Campos: “Eu, da Raça dos Descobridores, desprezo o que seja menos que descobrir um Novo mundo!”

6/08/2010

Sebastianismo e Saudade

Sebastianismo e Saudade… o que tantos e tantos intelectuais portugueses exorcizaram como os grandes estigmas da vida portuguesa, não deixam de ser, contudo, as grandes contribuições da nossa cultura para o mundo, pelo carácter verdadeiramente obsessivos que esses mitos – que sob outras linguagens também foram desenvolvidos por outros povos – tiveram (e têm) entre nós! Passividade, espírito acrítico, melancolia, ilusão e preguiça, redenção sem esforço, esperança cega e louca no milagre providencial que (nos) salvará: tudo isso é Sebastianismo e Saudade, tudo isso será Fado, mas tudo isso é também Portugal – ou pelo menos o Portugal imaginado (com as suas diferenças) por Pascoaes ou Pessoa.

Outros, como Bandarra ou Viera, destacaram-se na secular devoção da Saudade e do Sebastianismo. Mas fixemo-nos em Pascoaes e Pessoa: o primeiro liderou o mais importante escol reunido da intelectualidade portuguesa na “Renascença Portuguesa”; o segundo foi, simplesmente, o “super-Camões” por ele próprio anunciado.

Pascoaes propôs a Saudade como tema estruturador central do carácter nacional português, surgindo como desejo e dor; confundindo-se num só sentimento que combinava o elemento carnal e espiritual, o passado e o presente. Elevada à categoria de verdadeira religião portuguesa, a Saudade seria o grande sentimento que se encontrava por detrás da grandeza de Portugal e dos principais acontecimentos que sucessivamente lhe deram expressão, como a fundação de Portugal, a vitória de Aljubarrota, os Descobrimentos, o Sebastianismo e a Restauração de 1640.

Acreditava o poeta que o povo português criou a Saudade como síntese perfeita das suas origens arianas e semitas, a partir de cujo caldo se formou! Nesta mistura única de cruzamentos e influências encontra-se, precisamente, a especial característica da portugalidade: a sua competência para estabelecer pontes entre civilizações e criar correntes de diálogo entre diferentes religiões e culturas. Lirismos? Tal vocação dos portugueses para o multiculturalismo é, por si só, suficientemente moderna e premente… Mas Pessoa foi muito mais longe!

Tendo-se afastado bem cedo de Pascoaes e do movimento da “Renascença Portuguesa”, não apenas por razões de ordem filosófica e política, mas também estética (o saudosismo combinava-se mal com o futurismo que veio a abraçar), Pessoa iria tornar-se no grande arauto dum sebastianismo redentor e porvir.

Para Pessoa e para os “sebastianistas”, D. Sebastião não morrera porque os símbolos não morrem e num sentido simbólico D. Sebastião é Portugal: Portugal que perdeu a sua grandeza com a derrota de Alcácer-Quibir e que só voltará a resgatá-la com o regresso do Encoberto, vindo da ilha longínqua, numa manhã de nevoeiro – representando esta figuração o renascimento nacional envolto pelos elementos da decadência que a névoa representa, quais restos da noite na qual hibernou o país.

Partindo duma velha profecia inscrita no “Livro de Daniel” do Velho Testamento e na esteira do que Vieira anunciava, séculos antes, acerca do surgimento dum Quinto e final Império liderado por Portugal e construído na verdadeira fé, sem pecadores, miséria, necessidades ou guerra e sendo infinitamente justo, livre e harmonioso; Pessoa iria, também ele, profetizar o renascimento pátrio através da hegemonia cultural e espiritual portuguesa, consciente de que a dimensões geográfica, humana e económica do país eram incompatíveis com as velhas fórmulas de expansão e dominação imperial. Ou nas palavras do poeta: “esse futuro é sermos tudo.”

Definindo-se como um “nacionalista místico e um sebastianista racional”, Pessoa era também “e em contradição com isso, muitas outras coisas”. Indo mais além do Quinto Império de Vieira, a que corresponderia o florescimento de todas as comunidades da Terra, Pessoa projectava no seu “Quinto Império” o florescimento de todas as pessoas que nós somos ou poderíamos ser – muito ao jeito dos vários heterónimos que nele desabrocharam. Haverá maior desafio contemporâneo que este?

4/26/2010

2/27/2010

Porque nem tudo é Inês...

Rui Pedro Soares, o boy que Sócrates plantou na PT, recebeu no ano passado 2,5 milhões de euros. Ora um trabalhador que ganhe o salário mínimo, iria precisar de cerca de 400 anos para acumular o rendimento que o licenciado do IPAM auferiu num único ano.

Há 400 anos não havia presidente Cavaco, mas reinava este mister: Filipe III de Espanha, II de Portugal... Claro! O boy diz que subiu por mérito... Pois, pois... Nem mérito teve para tirar boas notas e entrar numa Universidade a sério, tendo de ir parar ao IPAM... Alguém conhecia? Não, pois não? Eu também não.

2/20/2010


Parece que o Fernando Nobre
ensalsichou o Alegre
ah, ah, ah, ah, ah!
Digam o que disserem, a "política" é muito mais sumarenta que o futebol. E o que hoje é verdade... amanhã pode ser meeeesmo mentira!

2/11/2010

BETTENCOURT, BAZA!
SALEMA: SAI!
CARVALHAL... CHEGA!


BASTA, basta, BasTA!

Os tecnocratas têm destruido o Sporting.
Sportinguistas: O Sporting somos nós!
Não permitam as alterações estatutárias
que o Salame sugeriu.

9/28/2009

Balanço eleitoral

E assim termina a short story "Rita rói-me o rosbife". Como sempre, deve ser lida do primeiro para o último (este) post


“Rita rói-me, quero ser o teu rosbife!”… Ou “Rita rói-me o rosbife”..? De modo inquietante, na confusão exaltada que se instalou, esse acabou por ser o pomo da discórdia, pois ninguém, a não ser os dois envolvidos – Reinaldo e Rita – sabia exactamente se teria Reinaldo requerido à Rita que o roesse como a um rosbife ou teria à Rita, Reinaldo rogado que lhe roesse o rosbife.

Confusos? Não era caso para tanto! Mas a linha de choque estabeleceu-se aí, na medida em não se ignorava que a manifestação machista de Reinaldo era apenas uma boca sectária, entre tantas que se alimentavam já dentro do nosso movimento.

“Até parece que tirei um naco do rosbife à miúda!” – A Rita era uma rapariga um tanto roliça e eu escutava o Reinaldo – Reinaldo o Radical: um pregador fogoso capaz de arrebatar rebanhos inteiros à influência nefasta duma hierarquia já ocupada na escalada dos degraus.

Sim! Éramos então muito poucos ainda, mas já muito díspares nas plataformas, correntes e fracções espartilhando um pensamento que, não devendo ser único, deveria ser tendencialmente unido… E o que era para ser um escândalo privado, logo se transformou num caso público exemplar: Havia que rasurar o radicalismo e Reinaldo com ele!

Instintivamente, todos pareceram compreender as extrapolações políticas possíveis do caso e as linhas de separação definiram-se, extremando-se os campos!

Os compagnon da route radical de Reinaldo reivindicavam a sugestão libidinosa, mas seguramente conforme ao rigor, de que Reinaldo apenas rogara a Rita que o roesse como um rosbife… “Não era bonito!” – reconheciam os “reinaldistas” – concordando não ser particularmente polido cumprimentarmos alguém em termos puramente gastronómicos, “mas” – realçavam os reinaldistas– também não era caso para ruir o Carmo e a Trindade só porque Reinaldo quisera ser roído por Rita.

Alguns, mais ariscos entre eles, arriscavam que, no caso da Rita e do Reinaldo, o rosbife era porém particularmente sugestivo uma vez que “Rita rói-me, quero ser o teu bacalhau à Braz” teria sido muito pior. E por fim, meia dúzia de indefectíveis, coração e alma do séquito sebastianista de Reinaldo, deitava para trás das costas o politicamente polido e roncava abertamente as artes de galã reputado ao Reinaldo!

“Rita rói-me, quero ser o teu rosbife” era – “realmente” – reafirmavam os radicais “reinaldistas”, uma rabecada de estilo à rapariga, na medida em que a prosa cortesã do Reinaldo apurava-se na solicitação de um beijo à Rita. “Rita rói-me” como quem “Rita beija-me”, enquanto que o rogo de Reinaldo por ser um rosbife (reafirmavam os seus radicais) era uma rebuscada metáfora exprimindo inovadoramente à Rita o desejo de esta o considerar (a ele, Reinaldo) como o seu nutriente amoroso. Tudo o mais – concluíam - eram extrapolações maliciosas de mentes perversas e prostituídas ao grande Capital.

“Nada disso!” – exclamavam do outro lado as vozes reprovadoras de Reinaldo e, curiosamente, opositoras ferozes às suas propostas políticas radicais… Sustentavam que se Reinaldo apenas houvera dito “Rita rói-me, quero ser o teu rosbife”, já por si teria sido pesado, porco e pequeno, mas o “canalha” – ajuizava uma maioria cada vez menos silenciosa - atirara “Rita rói-me o rosbife”.

“Rita rói-me o rosbife!” - reclamavam, iradas, as consciências - não podia ser reparado como reclamação imaginativa de um beijo inocente por Reinaldo (como este se desculpava), uma vez que estava realmente implícito um convite explicito para o sexo oral.

Ora Rita não era íntima de Reinaldo. Não eram amantes. Se o fossem e estivessem na cama, talvez a rapariga tivesse achado o “Rita rói-me o rosbife” basicamente rasca. Ou talvez até considerasse picante… saboreando uma carne mal passada, quem sabe?!

Porém… porém esse não era o caso: pois no universo pluralista em que nos movíamos, a relação de Rita e Reinaldo rasava não raramente a raiva. E se Reinaldo retinha Rita na retina! Regalava-se Reinaldo com a retina no regaço roliço da rapariga sempre que a oportunidade se proporcionava. E escusado será dizer que Reinaldo reiteradamente se precipitava com rapina… para um par de oportunidades! Assim era Reinaldo: um radical de acção e não apenas de fina oratória.

Talvez Reinaldo, num acesso de soberba mal contida, julgasse que o frio desdém de Rita reflectisse numa ambivalência excitada pela mútua atracção física renegada pelas facções opostas a que ambos pertenciam. Talvez… e se não fosse o professor de Karaté… talvez não se tivesse queimado o radicalismo no nosso movimento pela lenha lânguida e assaz fogosa duma provocação reles mesclada de sectarismo e sexismo de esquerda: tudo muito bem moído… no bife tártaro da Primavera hormonal que o nosso líder extremista experimentou. "Rita rói-me o rosbife": não houve luta de classes que suportasse tanta vanguarda!

Mas o rum rolava e, naquela quermesse, eu já nem sabia da rolha, quanto mais do rosbife. Perdi a revolução?

9/27/2009

E assim se realizou um tríptico eleitoral

A participação dos milhões de pobres, de precários, dos desempregados e dos oprimidos, é essencial na jornada eleitoral de hoje. Uma importante votação nos partidos de de esquerda irá favorecer e fortalecer a luta do povo: Eu votarei CDU.
Da esquerda para a direita:

Infelizmente,
há quem pense que isto só muda à lei da bomba

9/23/2009

Lamentável

Esta foto circula pela net e, se a reproduzo no meu blog, é para que fique bem claro: L-A-M-E-N-T-Á-V-E-L. Repudio e recuso qualquer responsabilidade. Mais! Chegou ao meu conhecimento que impostores se fazem passar por mim pela internet. Incrível, não? Mas deixo desde já o seguinte aviso à navegação: este Pedro não anda por outros sítios.

Haverá, certamente, quem queira o meu mal.

9/21/2009

Rita rói-me o rosbife

Na época, todavia, não estávamos prontos: o movimento encontrava-se, então, naquele momento em que a crisálida se presta a romper, enfim, a fina membrana que lhe dará o espaço às asas a tornar livres e um céu a tomar de assalto.

Estávamos numa quermesse de angariação de fundos e um certo voluntarismo amador persistia em perfumar ainda com odor do fino verniz radical, o processo de normalização em curso que alguns gizavam já, mas quase nenhuns viam porém...

Estávamos na quermesse e eu navegava, no tépido do meu rum, com destino àquela utopia aveludada de sereno torpor, areias finas e sol quente, quando o gelo quebrou do pior modo possível:

“Rita rói-me”

Quiseram o Rum e uma má coincidência que eu estivesse lá quando a ingenuidade se foi e uma carreira se perdeu entre argumentos esgrimidos, raivas rosnadas e assassinatos de caracteres…

“Rita rói-me” e na centelha dum desejo mal medido, se incendiou a pradaria chinesa da nossa quermesse!
“Rita rói-me”... essas eram as únicas palavras de senso no meio de tanto calão jaculoso que espingardava pela boca Reinaldo: “Rita rói-me, eu quero ser o teu rosbife”. O resto...? O resto já pouco se prestava à transcrição.

Dizem que pela boca morre o peixe, mas a tensão hormonal do Reinaldo implicou realmente algo mais carnal – por assim dizer - para o fazer ruir. E Reinaldo precipitou-se pelo engodo do rosbife.

Talvez se a sua companheira não o tivesse abandonado para ir viver – como ela lhe cuspiu na cara - “com um homem a sério”, talvez ainda hoje o Reinaldo tivesse um futuro político. Talvez. Conjunturas são fáceis de fazer e o outro tipo era instrutor de Karaté.

Reinaldo viva dias de frustração? Como poderia não os viver em função da falta de rumo e rigor na condução da sua vida íntima e do Governo que teimávamos em tolerar [nós povo]?

Certo era é que Reinaldo não andava bem e desde a ruptura conjugal todas as características marcantes de um short-fused um tanto nervoso se tinham acentuado: Dava tonturas só de seguir o seu olhar inquieto dançando pendularmente em busca de pequenas quezílias, abafados conflitos e ásperas confrontações doutrinárias... Mas todos esses pretéritos folhetins tinham apenas ladrilhado o atalho para o abismo a céu aberto no qual iria tombar a reputação de Reinaldo - Reinaldo o Radical...